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Sexo e Diálogo
Margareth de Mello F. dos Reis

Falar não é uma tarefa fácil.
Apesar da consciência que as pessoas têm de que o diálogo é necessário, quando o relacionamento não caminha de forma tão satisfatória, os parceiros tendem a temer a reação do outro e, com isso, a falta de comunicação acaba criando um obstáculo entre eles.
Para usufruir do bom hábito de comunicar-se é necessário vencer as barreiras que persistem de longa data, em especial na nossa formação sexual.
Até há algumas décadas atrás, o assunto sobre sexo era considerado impróprio para uma discussão em família.
A educação sexual aparecia nas noções científicas sobre reprodução e o prazer era condenado.
Aliás, a própria idéia de corpo é considerada um invento moderno.
Apareceu no final do século XIX, pois antes a idéia era de que só se conseguia a vida eterna "amputando" a carne para preservar o espírito.
Tudo que estava ligado ao corpo era tratado como carne e era considerado perversão.
Herdeiros dessa trajetória histórica, é comum, homens e mulheres sentirem-se embaraçados quando têm que transmitir algo que envolva as suas sensações eróticas.
Ainda mais, quando os próprios termos utilizados pelo senso comum para definir os genitais feminino e masculino - pau, xoxota etc - são um exemplo do quanto o diálogo do casal sobre as questões sexuais pode ser evitado por dificuldade de dar um nome neutro para se referir a um assunto dessa natureza.
Diferente dos termos técnicos, considerados neutros - pênis, vagina, coito -, as expressões que mais são usadas para referirem-se aos órgãos sexuais, podem ser, ao mesmo tempo, dispensadas para o diálogo a dois devido ao caráter obsceno que as revestem.
A alternativa encontrada para tal impasse é a de muitas vezes silenciar.
O que nem sempre se pondera é que o silêncio também comunica.
Transmite a mensagem de que não se deve tocar no assunto que se está silenciando.
Ocorre que, se o relacionamento sexual não está sendo satisfatório para um, para o outro dificilmente estará.
Neste sentido, é preciso que um tome a iniciativa de abordar a questão para que o outro se sinta a vontade para se expor também.
A abertura para o diálogo permite inaugurar um espaço de confiança na relação a dois.
Porém, é importante lembrar que o jeito de se transmitir as coisas para o outro tem um peso fundamental.
Se, o diálogo contribui para a remoção da inibição que pairava no relacionamento, o "como" comunicar as insatisfações é o que determina os desfechos mais - ou menos - satisfatórios.
Uma conversa pode ser útil inclusive para o casal admitir a necessidade de procurar ajuda de um especialista (psicólogo ou terapeuta sexual).
A exposição franca dos desejos e necessidades de cada um e o potencial da relação para um acolhimento mútuo permitem a entrega e a integração no ato sexual.
E, isso só é possível com respeito, amor e muita disposição para a troca sincera de palavras elogiosas entre os parceiros.


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