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Infidelidade: novas posturas, velhos valores
Margareth de Mello F. dos Reis

A infidelidade masculina já fora considerada justa pela sociedade regida pelos homens - modelo patriarcal que persiste em menor grau até os dias atuais.
Antigamente, o homem se casava com uma mulher educada para o casamento, portanto, esse era o diferencial feminino daquelas que eram consideradas "direitas" - legitimado pela preservação da virgindade -, que a colocava em condição de submissão ao sexo com a finalidade de procriação, após o casamento.
Neste sentido, a mulher era desprovida da sensualidade e o homem resolvia o conflito dos seus impulsos sexuais fora de casa (com aquelas que não eram consideradas "direitas": prostitutas ou mulheres livres).
As esposas dessa época eram obrigadas a aceitar e compreender esse comportamento masculino.
Elas também não podiam se afastar da conduta que era esperada de uma esposa porque as conseqüências eram derradeiramente drásticas: poderia acontecer desde ser assassinada pelo marido - que ficava impune - até permanecer à deriva de uma sociedade pelo resto da vida.
Na atualidade podemos observar que nem o homem experimenta mais toda aquela liberdade de outrora e nem a mulher é tão submissa e castrada como já fora em épocas passadas.
Com a expansão da identidade feminina para além dos domínios privados, as fantasias também passaram a ser mais admitidas nas mentes femininas.
Sob esta perspectiva, quando duas pessoas assumem um compromisso convencionou-se ficar implícito desde o princípio do relacionamento que elas devem manter a fidelidade.
O que ocorre é que nem sempre isso se confirma.
Em muitos casos, a tentação de um relacionamento sexual com outra pessoa torna-se irresistível e aquela intenção de fidelidade que parecia tão sólida no início da convivência com o objeto de amor vai por água abaixo.
E a infidelidade pode ocorrer por uma série de fatores.
Vale ressaltar que o que chamamos de infidelidade, neste caso, é a falta de cumprimento ao acordo de exclusividade sexual dentro de um relacionamento monogâmico.
Observa-se que, desde os fatores de passagens transgeracionais - de avós para netos - carregados de mitos, até aqueles relacionados a maior liberdade sexual de hoje em dia que estimula os envolvimentos extraconjugais, a traição pode destruir a confiança entre duas pessoas e o próprio relacionamento.
Os mitos que defendem que todos são potencialmente infiéis ou que os envolvimentos extraconjugais recuperam um ardor perdido numa relação enfadonha reforçam a idealização que se faz da figura do amante que é percebida com uma sensualidade superior à do cônjuge, ou ainda, como este último ser alguém que possui falhas que provocaram a carência do traidor.
Já a maior liberdade sexual que se experimenta nos dias atuais - reiteradas pelos filmes, telenovelas, revistas etc.
- eleva a curiosidade sexual e a tentação de ambos os sexos a experimentar o sabor da conquista.
No que tange o prazer masculino, a infidelidade se inscreve num território que o faz sentir-se envaidecido e potente quando consegue se envolver com uma mulher atraente.
A manutenção da retórica masculina que não sustenta nenhuma importância dada a um envolvimento extraconjugal - posto que diz não passar de uma aventura sem maiores conseqüências e não mudar em nada o sentimento que nutre pela parceira efetiva -, é usada para legitimar o seu desejo de longa data considerado justo e claudicante.
Por outro lado, para a mulher, a experiência de provocar a paixão de um homem se inscreve num território que visa a assegurar a sua própria identidade feminina.
Ela também se sente elevada em sua auto-estima, mas à diferença do homem ela tende a amar quem a ama e a se envolver para além dos limites da sensualidade.
Como de longa data, a procura feminina, que hoje se estende à infidelidade também, é de encontrar compromissos para definir a sua identidade mais pelos seus relacionamentos do que por si mesma.
Desta forma, sua identidade ainda fica confundida com intimidade, buscando no outro aquilo que não parece possível encontrar em si mesma.
Grosso modo, enfocamos o significado dos relacionamentos extraconjugais a partir das características que persistem ao longo dos tempos nos gêneros feminino e masculino, apesar de tantas mudanças já experimentadas por ambos os sexos.
É válido lembrar que o surgimento da Aids provocou uma mudança no conceito de infidelidade.
Se, antigamente, a tônica da questão era mais moral, hoje tornou-se mais de saúde física e mental.
Para finalizar, o fato é que a traição pode erigir um obstáculo na vida a dois.
Mesmo os mais cuidadosos e discretos infiéis muitas vezes não desconfiam que podem atingir um relacionamento já existente.
Os sonhos, as expectativas, as preocupações acabam sendo divididas num outro espaço em vez de compartilhados com a parceria efetiva.
Além de a situação de infidelidade se constituir num terreno fértil para o aparecimento de comparações desfavoráveis entre as pessoas envolvidas em dois relacionamentos.
A infidelidade masculina já fora considerada justa pela sociedade regida pelos homens - modelo patriarcal que persiste em menor grau até os dias atuais.
Antigamente, o homem se casava com uma mulher educada para o casamento, portanto, esse era o diferencial feminino daquelas que eram consideradas "direitas" - legitimado pela preservação da virgindade -, que a colocava em condição de submissão ao sexo com a finalidade de procriação, após o casamento.
Neste sentido, a mulher era desprovida da sensualidade e o homem resolvia o conflito dos seus impulsos sexuais fora de casa (com aquelas que não eram consideradas "direitas": prostitutas ou mulheres livres).
As esposas dessa época eram obrigadas a aceitar e compreender esse comportamento masculino.
Elas também não podiam se afastar da conduta que era esperada de uma esposa porque as conseqüências eram derradeiramente drásticas: poderia acontecer desde ser assassinada pelo marido - que ficava impune - até permanecer à deriva de uma sociedade pelo resto da vida.
Na atualidade podemos observar que nem o homem experimenta mais toda aquela liberdade de outrora e nem a mulher é tão submissa e castrada como já fora em épocas passadas.
Com a expansão da identidade feminina para além dos domínios privados, as fantasias também passaram a ser mais admitidas nas mentes femininas.
Sob esta perspectiva, quando duas pessoas assumem um compromisso convencionou-se ficar implícito desde o princípio do relacionamento que elas devem manter a fidelidade.
O que ocorre é que nem sempre isso se confirma.
Em muitos casos, a tentação de um relacionamento sexual com outra pessoa torna-se irresistível e aquela intenção de fidelidade que parecia tão sólida no início da convivência com o objeto de amor vai por água abaixo.
E a infidelidade pode ocorrer por uma série de fatores.
Vale ressaltar que o que chamamos de infidelidade, neste caso, é a falta de cumprimento ao acordo de exclusividade sexual dentro de um relacionamento monogâmico.
Observa-se que, desde os fatores de passagens transgeracionais - de avós para netos - carregados de mitos, até aqueles relacionados a maior liberdade sexual de hoje em dia que estimula os envolvimentos extraconjugais, a traição pode destruir a confiança entre duas pessoas e o próprio relacionamento.
Os mitos que defendem que todos são potencialmente infiéis ou que os envolvimentos extraconjugais recuperam um ardor perdido numa relação enfadonha reforçam a idealização que se faz da figura do amante que é percebida com uma sensualidade superior à do cônjuge, ou ainda, como este último ser alguém que possui falhas que provocaram a carência do traidor.
Já a maior liberdade sexual que se experimenta nos dias atuais - reiteradas pelos filmes, telenovelas, revistas etc.
- eleva a curiosidade sexual e a tentação de ambos os sexos a experimentar o sabor da conquista.
No que tange o prazer masculino, a infidelidade se inscreve num território que o faz sentir-se envaidecido e potente quando consegue se envolver com uma mulher atraente.
A manutenção da retórica masculina que não sustenta nenhuma importância dada a um envolvimento extraconjugal - posto que diz não passar de uma aventura sem maiores conseqüências e não mudar em nada o sentimento que nutre pela parceira efetiva -, é usada para legitimar o seu desejo de longa data considerado justo e claudicante.
Por outro lado, para a mulher, a experiência de provocar a paixão de um homem se inscreve num território que visa a assegurar a sua própria identidade feminina.
Ela também se sente elevada em sua auto-estima, mas à diferença do homem ela tende a amar quem a ama e a se envolver para além dos limites da sensualidade.
Como de longa data, a procura feminina, que hoje se estende à infidelidade também, é de encontrar compromissos para definir a sua identidade mais pelos seus relacionamentos do que por si mesma.
Desta forma, sua identidade ainda fica confundida com intimidade, buscando no outro aquilo que não parece possível encontrar em si mesma.
Grosso modo, enfocamos o significado dos relacionamentos extraconjugais a partir das características que persistem ao longo dos tempos nos gêneros feminino e masculino, apesar de tantas mudanças já experimentadas por ambos os sexos.
É válido lembrar que o surgimento da Aids provocou uma mudança no conceito de infidelidade.
Se, A infidelidade masculina já fora considerada justa pela sociedade regida pelos homens - modelo patriarcal que persiste em menor grau até os dias atuais.
Antigamente, o homem se casava com uma mulher educada para o casamento, portanto, esse era o diferencial feminino daquelas que eram consideradas "direitas" - legitimado pela preservação da virgindade -, que a colocava em condição de submissão ao sexo com a finalidade de procriação, após o casamento.
Neste sentido, a mulher era desprovida da sensualidade e o homem resolvia o conflito dos seus impulsos sexuais fora de casa (com aquelas que não eram consideradas "direitas": prostitutas ou mulheres livres).
As esposas dessa época eram obrigadas a aceitar e compreender esse comportamento masculino.
Elas também não podiam se afastar da conduta que era esperada de uma esposa porque as conseqüências eram derradeiramente drásticas: poderia acontecer desde ser assassinada pelo marido - que ficava impune - até permanecer à deriva de uma sociedade pelo resto da vida.
Na atualidade podemos observar que nem o homem experimenta mais toda aquela liberdade de outrora e nem a mulher é tão submissa e castrada como já fora em épocas passadas.
Com a expansão da identidade feminina para além dos domínios privados, as fantasias também passaram a ser mais admitidas nas mentes femininas.
Sob esta perspectiva, quando duas pessoas assumem um compromisso convencionou-se ficar implícito desde o princípio do relacionamento que elas devem manter a fidelidade.
O que ocorre é que nem sempre isso se confirma.
Em muitos casos, a tentação de um relacionamento sexual com outra pessoa torna-se irresistível e aquela intenção de fidelidade que parecia tão sólida no início da convivência com o objeto de amor vai por água abaixo.
E a infidelidade pode ocorrer por uma série de fatores.
Vale ressaltar que o que chamamos de infidelidade, neste caso, é a falta de cumprimento ao acordo de exclusividade sexual dentro de um relacionamento monogâmico.
Observa-se que, desde os fatores de passagens transgeracionais - de avós para netos - carregados de mitos, até aqueles relacionados a maior liberdade sexual de hoje em dia que estimula os envolvimentos extraconjugais, a traição pode destruir a confiança entre duas pessoas e o próprio relacionamento.
Os mitos que defendem que todos são potencialmente infiéis ou que os envolvimentos extraconjugais recuperam um ardor perdido numa relação enfadonha reforçam a idealização que se faz da figura do amante que é percebida com uma sensualidade superior à do cônjuge, ou ainda, como este último ser alguém que possui falhas que provocaram a carência do traidor.
Já a maior liberdade sexual que se experimenta nos dias atuais - reiteradas pelos filmes, telenovelas, revistas etc.
- eleva a curiosidade sexual e a tentação de ambos os sexos a experimentar o sabor da conquista.
No que tange o prazer masculino, a infidelidade se inscreve num território que o faz sentir-se envaidecido e potente quando consegue se envolver com uma mulher atraente.
A manutenção da retórica masculina que não sustenta nenhuma importância dada a um envolvimento extraconjugal - posto que diz não passar de uma aventura sem maiores conseqüências e não mudar em nada o sentimento que nutre pela parceira efetiva -, é usada para legitimar o seu desejo de longa data considerado justo e claudicante.
Por outro lado, para a mulher, a experiência de provocar a paixão de um homem se inscreve num território que visa a assegurar a sua própria identidade feminina.
Ela também se sente elevada em sua auto-estima, mas à diferença do homem ela tende a amar quem a ama e a se envolver para além dos limites da sensualidade.
Como de longa data, a procura feminina, que hoje se estende à infidelidade também, é de encontrar compromissos para definir a sua identidade mais pelos seus relacionamentos do que por si mesma.
Desta forma, sua identidade ainda fica confundida com intimidade, buscando no outro aquilo que não parece possível encontrar em si mesma.
Grosso modo, enfocamos o significado dos relacionamentos extraconjugais a partir das características que persistem ao longo dos tempos nos gêneros feminino e masculino, apesar de tantas mudanças já experimentadas por ambos os sexos.
É válido lembrar que o surgimento da Aids provocou uma mudança no conceito de infidelidade.
Se, antigamente, a tônica da questão era mais moral, hoje tornou-se mais de saúde física e mental.
Para finalizar, o fato é que a traição pode erigir um obstáculo na vida a dois.
Mesmo os mais cuidadosos e discretos infiéis muitas vezes não desconfiam que podem atingir um relacionamento já existente.
Os sonhos, as expectativas, as preocupações acabam sendo divididas num outro espaço em vez de compartilhados com a parceria efetiva.
Além de a situação de infidelidade se constituir num terreno fértil para o aparecimento de comparações desfavoráveis entre as pessoas envolvidas em dois relacionamentos.
Para finalizar, o fato é que a traição pode erigir um obstáculo na vida a dois.
Mesmo os mais cuidadosos e discretos infiéis muitas vezes não desconfiam que podem atingir um relacionamento já existente.
Os sonhos, as expectativas, as preocupações acabam sendo divididas num outro espaço em vez de compartilhados com a parceria efetiva.
Além de a situação de infidelidade se constituir num terreno fértil para o aparecimento de comparações desfavoráveis entre as pessoas envolvidas em dois relacionamentos.
A infidelidade masculina já fora considerada justa pela sociedade regida pelos homens - modelo patriarcal que persiste em menor grau até os dias atuais.
Antigamente, o homem se casava com uma mulher educada para o casamento, portanto, esse era o diferencial feminino daquelas que eram consideradas "direitas" - legitimado pela preservação da virgindade -, que a colocava em condição de submissão ao sexo com a finalidade de procriação, após o casamento.
Neste sentido, a mulher era desprovida da sensualidade e o homem resolvia o conflito dos seus impulsos sexuais fora de casa (com aquelas que não eram consideradas "direitas": prostitutas ou mulheres livres).
As esposas dessa época eram obrigadas a aceitar e compreender esse comportamento masculino.
Elas também não podiam se afastar da conduta que era esperada de uma esposa porque as conseqüências eram derradeiramente drásticas: poderia acontecer desde ser assassinada pelo marido - que ficava impune - até permanecer à deriva de uma sociedade pelo resto da vida.
Na atualidade podemos observar que nem o homem experimenta mais toda aquela liberdade de outrora e nem a mulher é tão submissa e castrada como já fora em épocas passadas.
Com a expansão da identidade feminina para além dos domínios privados, as fantasias também passaram a ser mais admitidas nas mentes femininas.
Sob esta perspectiva, quando duas pessoas assumem um compromisso convencionou-se ficar implícito desde o princípio do relacionamento que elas devem manter a fidelidade.
O que ocorre é que nem sempre isso se confirma.
Em muitos casos, a tentação de um relacionamento sexual com outra pessoa torna-se irresistível e aquela intenção de fidelidade que parecia tão sólida no início da convivência com o objeto de amor vai por água abaixo.
E a infidelidade pode ocorrer por uma série de fatores.
Vale ressaltar que o que chamamos de infidelidade, neste caso, é a falta de cumprimento ao acordo de exclusividade sexual dentro de um relacionamento monogâmico.
Observa-se que, desde os fatores de passagens transgeracionais - de avós para netos - carregados de mitos, até aqueles relacionados a maior liberdade sexual de hoje em dia que estimula os envolvimentos extraconjugais, a traição pode destruir a confiança entre duas pessoas e o próprio relacionamento.
Os mitos que defendem que todos são potencialmente infiéis ou que os envolvimentos extraconjugais recuperam um ardor perdido numa relação enfadonha reforçam a idealização que se faz da figura do amante que é percebida com uma sensualidade superior à do cônjuge, ou ainda, como este último ser alguém que possui falhas que provocaram a carência do traidor.
Já a maior liberdade sexual que se experimenta nos dias atuais - reiteradas pelos filmes, telenovelas, revistas etc.
- eleva a curiosidade sexual e a tentação de ambos os sexos a experimentar o sabor da conquista.
No que tange o prazer masculino, a infidelidade se inscreve num território que o faz sentir-se envaidecido e potente quando consegue se envolver com uma mulher atraente.
A manutenção da retórica masculina que não sustenta nenhuma importância dada a um envolvimento extraconjugal - posto que diz não passar de uma aventura sem maiores conseqüências e não mudar em nada o sentimento que nutre pela parceira efetiva -, é usada para legitimar o seu desejo de longa data considerado justo e claudicante.
Por outro lado, para a mulher, a experiência de provocar a paixão de um homem se inscreve num território que visa a assegurar a sua própria identidade feminina.
Ela também se sente elevada em sua auto-estima, mas à diferença do homem ela tende a amar quem a ama e a se envolver para além dos limites da sensualidade.
Como de longa data, a procura feminina, que hoje se estende à infidelidade também, é de encontrar compromissos para definir a sua identidade mais pelos seus relacionamentos do que por si mesma.
Desta forma, sua identidade ainda fica confundida com intimidade, buscando no outro aquilo que não parece possível encontrar em si mesma.
Grosso modo, enfocamos o significado dos relacionamentos extraconjugais a partir das características que persistem ao longo dos tempos nos gêneros feminino e masculino, apesar de tantas mudanças já experimentadas por ambos os sexos.
É válido lembrar que o surgimento da Aids provocou uma mudança no conceito de infidelidade.
Se, antigamente, a tônica da questão era mais moral, hoje tornou-se mais de saúde física e mental.
Para finalizar, o fato é que a traição pode erigir um obstáculo na vida a dois.
Mesmo os mais cuidadosos e discretos infiéis muitas vezes não desconfiam que podem atingir um relacionamento já existente.
Os sonhos, as expectativas, as preocupações acabam sendo divididas num outro espaço em vez de compartilhados com a parceria efetiva.
Além de a situação de infidelidade se constituir num terreno fértil para o aparecimento de comparações desfavoráveis entre as pessoas envolvidas em dois relacionamentos.
A infidelidade masculina já fora considerada justa pela sociedade regida pelos homens - modelo patriarcal que persiste em menor grau até os dias atuais.
Antigamente, o homem se casava com uma mulher educada para o casamento, portanto, esse era o diferencial feminino daquelas que eram consideradas "direitas" - legitimado pela preservação da virgindade -, que a colocava em condição de submissão ao sexo com a finalidade de procriação, após o casamento.
Neste sentido, a mulher era desprovida da sensualidade e o homem resolvia o conflito dos seus impulsos sexuais fora de casa (com aquelas que não eram consideradas "direitas": prostitutas ou mulheres livres).
As esposas dessa época eram obrigadas a aceitar e compreender esse comportamento masculino.
Elas também não podiam se afastar da conduta que era esperada de uma esposa porque as conseqüências eram derradeiramente drásticas: poderia acontecer desde ser assassinada pelo marido - que ficava impune - até permanecer à deriva de uma sociedade pelo resto da vida.
Na atualidade podemos observar que nem o homem experimenta mais toda aquela liberdade de outrora e nem a mulher é tão submissa e castrada como já fora em épocas passadas.
Com a expansão da identidade feminina para além dos domínios privados, as fantasias também passaram a ser mais admitidas nas mentes femininas.
Sob esta perspectiva, quando duas pessoas assumem um compromisso convencionou-se ficar implícito desde o princípio do relacionamento que elas devem manter a fidelidade.
O que ocorre é que nem sempre isso se confirma.
Em muitos casos, a tentação de um relacionamento sexual com outra pessoa torna-se irresistível e aquela intenção de fidelidade que parecia tão sólida no início da convivência com o objeto de amor vai por água abaixo.
E a infidelidade pode ocorrer por uma série de fatores.
Vale ressaltar que o que chamamos de infidelidade, neste caso, é a falta de cumprimento ao acordo de exclusividade sexual dentro de um relacionamento monogâmico.
Observa-se que, desde os fatores de passagens transgeracionais - de avós para netos - carregados de mitos, até aqueles relacionados a maior liberdade sexual de hoje em dia que estimula os envolvimentos extraconjugais, a traição pode destruir a confiança entre duas pessoas e o próprio relacionamento.
Os mitos que defendem que todos são potencialmente infiéis ou que os envolvimentos extraconjugais recuperam um ardor perdido numa relação enfadonha reforçam a idealização que se faz da figura do amante que é percebida com uma sensualidade superior à do cônjuge, ou ainda, como este último ser alguém que possui falhas que provocaram a carência do traidor.
Já a maior liberdade sexual que se experimenta nos dias atuais - reiteradas pelos filmes, telenovelas, revistas etc.
- eleva a curiosidade sexual e a tentação de ambos os sexos a experimentar o sabor da conquista.
No que tange o prazer masculino, a infidelidade se inscreve num território que o faz sentir-se envaidecido e potente quando consegue se envolver com uma mulher atraente.
A manutenção da retórica masculina que não sustenta nenhuma importância dada a um envolvimento extraconjugal - posto que diz não passar de uma aventura sem maiores conseqüências e não mudar em nada o sentimento que nutre pela parceira efetiva -, é usada para legitimar o seu desejo de longa data considerado justo e claudicante.
Por outro lado, para a mulher, a experiência de provocar a paixão de um homem se inscreve num território que visa a assegurar a sua própria identidade feminina.
Ela também se sente elevada em sua auto-estima, mas à diferença do homem ela tende a amar quem a ama e a se envolver para além dos limites da sensualidade.
Como de longa data, a procura feminina, que hoje se estende à infidelidade também, é de encontrar compromissos para definir a sua identidade mais pelos seus relacionamentos do que por si mesma.
Desta forma, sua identidade ainda fica confundida com intimidade, buscando no outro aquilo que não parece possível encontrar em si mesma.
Grosso modo, enfocamos o significado dos relacionamentos extraconjugais a partir das características que persistem ao longo dos tempos nos gêneros feminino e masculino, apesar de tantas mudanças já experimentadas por ambos os sexos.
É válido lembrar que o surgimento da Aids provocou uma mudança no conceito de infidelidade.
Se, antigamente, a tônica da questão era mais moral, hoje tornou-se mais de saúde física e mental.
Para finalizar, o fato é que a traição pode erigir um obstáculo na vida a dois.
Mesmo os mais cuidadosos e discretos infiéis muitas vezes não desconfiam que podem atingir um relacionamento já existente.
Os sonhos, as expectativas, as preocupações acabam sendo divididas num outro espaço em vez de compartilhados com a parceria efetiva.
Além de a situação de infidelidade se constituir num terreno fértil para o aparecimento de comparações desfavoráveis entre as pessoas envolvidas em dois relacionamentos.


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