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Orgasmo Feminino
Margareth de Mello F. dos Reis

A queixa sexual de maior prevalência no universo feminino é a de se obter o prazer orgástico.
O orgasmo é definido como uma descarga de tensão muscular numa série de contrações, e, representa o auge do prazer sexual tanto para a mulher quanto para o homem.
Além dessa definição podemos considerar que essa experiência é muito mais ampla e está interligada a muitos outros fatores.
Se avaliarmos pelo crivo da educação, pode-se verificar que a mulher não foi incentivada para a vivência do erotismo e de sua expressão orgástica assim como o homem não foi incentivado para ter controle ejaculatório.
Para complicar um pouco mais essa temática, o modelo de mulher propagado para despertar o prazer masculino é "produzido" (até com a ajuda dos computadores - haja vista os recursos disponíveis utilizados na sofisticação das imagens atuais), e, portanto, pouco acessível na realidade.
E é um modelo atrelado ao apelo de consumo.
A mulher "gostosa", com ar de malícia, ou muitas vezes somente as partes do corpo feminino - bumbum, pernas, peitos - vendem carros, eletrodomésticos, programas de TV, goma de mascar e assim por diante.
Só que esse modelo vem acompanhado de um "padrão ideal" dirigido para a supremacia da aparência jovial e sedutora da mulher, ou seja, de uma filosofia que confronta com os valores que eram transmitidos para as mulheres no passado de que pensar em sexo ou no seu prazer sexual a vulgarizava.
Com isso não nos cabe responsabilizar a mídia ou aqueles que produzem esse modelo, mas fazer um alerta para os prejuízos de uma aceitação desse modelo como uma verdade única e absoluta a ser perseguida.
A obsessão por alcançar esse modelo ideal a qualquer custo através de um culto ao corpo para se sentir sexualmente atraente interfere na possibilidade de exploração de outros aspectos que poderiam elevar a satisfação erótica no encontro a dois.
A resposta sexual de orgasmo é conseqüência de etapas bem sucedidas que a antecedem, e, a primeira delas é a do desejo sexual.
É nesta fase inicial da resposta sexual que se observa o nível (e a qualidade) de motivação da pessoa para a situação sexual.
O excesso, a ausência ou o rebaixamento de desejo sexual são aspectos que decidirão a qualidade da relação que a mulher estabelece com o seu prazer sexual.
O clima de um envolvimento a dois interfere nesta fase (elevando ou diminuindo a motivação sexual) assim como os desencontros na expectativa desse contato íntimo.
Outra etapa que antecede a resposta orgástica é a fase da excitação sexual.
Nesta fase o corpo da mulher se modifica para o ato sexual.
O espaço virtual e seco da vagina se transforma num receptáculo expandido, lubrificado e ingurgitado (devido a maior quantidade de sangue concentrada nessa área - assim como o alto das coxas, barriga, peito e rosto também recebem uma maior quantidade de sangue nesta fase da resposta de excitação).
O clitóris fica mais aparente e responsivo à estimulação física.
Os grandes lábios se retraem e os pequenos lábios se expandem para fora.
A diminuição ou a ausência de alguns desses fatores fisiológicos pode impedir a mulher de ter um exercício sexual satisfatório.
A última fase da resposta sexual e a responsável pelas maiores dificuldades femininas é a do orgasmo.
A dificuldade ou incapacidade de se experimentar orgasmos é denominada anorgasmia.
É considerada anorgasmia absoluta quando não se experimenta prazer em nenhuma oportunidade - nem na situação de penetração, nem na masturbação.
A fantasia criada pela mulher em torno do orgasmo tende a dificultar sobremaneira a sua experiência de satisfação sexual.
É comum aparecer a expectativa de um prazer tão forte e inusitado nesta situação que ela deixa de viver as sensações agradáveis e gradativamente crescentes que a levariam a atingir o orgasmo.
A fantasia feminina de que o orgasmo é uma sensação obtida somente com a penetração também concorre com o seu insucesso.
O orgasmo é um prazer que não depende exclusivamente do clitóris ou da vagina, embora o clitóris seja respeitado como uma fonte rica de inervação para ser estimulada.
Porém, o cérebro é o centro desencadeador do orgasmo, experiência essa que ocorre a partir de um conjunto de fatores que podem elevar a excitação até o seu ponto máximo.
Portanto, vale a pena considerar todos os aspectos que giram em torno de uma possibilidade de contato com o prazer e analisar se a potencialidade dos mesmos é para a obtenção de uma gratificação sexual ou para uma urgente mudança de paradigma.


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