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Fantasias Sexuais
Margareth de Mello F. dos Reis

As fantasias pertencem ao mundo da imaginação e podem mexer com determinados sentidos (auditivo, olfativo, visual, tátil, gustativo) independente da presença física de um dado estímulo.
A força e qualidade da fantasia tendem a provocar as sensações de medo, de prazer, ou seja, de conforto ou de desconforto, para quem a experimenta.
Recorrer às fantasias é um meio potencial utilizado desde os primórdios do processo de desenvolvimento da criança para apreender o mundo e tudo que o cerca.
Com os seus parcos recursos para enfrentar todas as diversidades do mundo, a criança vive, imaginariamente, situações significativas para promover sensações desejáveis.
Podemos tomar como um dos exemplos mais visíveis disso, as brincadeiras infantis nas quais a criança reproduz outros papéis (de pai, de mãe, de professor, de algum ídolo midiático), incrementados pelo universo de estimulações que ela recebe.
Nesse exercício, sua capacidade criativa vai sendo explorada e desenvolvida ao longo da infância.
Quanto mais a fantasia for incentivada e monitorada por adultos com valores flexíveis e adaptados à etapa do desenvolvimento infantil, mais chances terá a criança de se capacitar para um discernimento favorável diante dos fatos enfrentados nas próximas fases de sua vida.
Porém, na esteira das transições experimentadas de um período do desenvolvimento para outro, as fantasias vão se retirando do plano vivido na exploração dos jogos de faz-de-conta, que a criança compartilha com o ambiente ao qual ela pertence, para ocupar um espaço interno adolescente que passa a ser regido pela inquietação dos hormônios, pelas novidades com as quais passa a se deparar, pelas exigências externas e pelas suas fantasias que, de agora em diante, dificilmente serão compartilhadas.
No leque de fantasias que reside no interior de cada um, faremos um recorte aqui, daquela cuja temática envolve a sensualidade e o erotismo.
Neste aspecto, encontramos a potencialidade das fantasias que, em muitos casos, servem para contribuir com a elevação do nível de excitação erótica, e em tantos outros casos, para impedir, até mesmo, a motivação erótica.
A auto-avaliação dirigida à produção imaginativa erótica pode provocar os mais diversos sentimentos.
Se, o repertório de fantasias sexuais é abalado pelos julgamentos rígidos de reprovação de quem as experimenta, é bem provável que os sentimentos despertados com isso sejam negativos e, portanto, antagônicos à resposta de excitação sexual.
Por outro lado, se o reservatório de fantasias sexuais é explorado e apreciado pelas sensações prazerosas que desperta, estará disponível e acessível sempre que se desejar a sua grata participação.
Se envolver com as fantasias sexuais não representa necessariamente um evento preocupante.
É considerado patológico quando a fantasia passa a ser confundida com a realidade ou quando se tenta concretizar uma fantasia incompatível com a realidade.
Do contrário, a fantasia habita um espaço interno que pode ser compartilhado com alguém quando isso é viável ou ficar reservado à privacidade dos momentos que se escolhe para excursionar pelo reino mágico dos sonhos.
Mais importante que a fantasia em si é o que ela reúne de aspetos simbólicos capazes de elevar a excitação sexual.
Por faltarem, muitas vezes, parâmetros que permitam uma vivência bem administrada das fantasias sexuais que residem na realidade subjetiva de cada um, elas podem ameaçar sem que representem algum perigo real, podem ser concretizadas às custas de desdobramentos desastrosos, ou também, persistirem em detrimento de outras mais satisfatórias.
Porém, como tudo que faz parte da experiência humana, as fantasias precisam ser avaliadas, conseqüenciadas, selecionadas, adaptadas e também renovadas de acordo com o momento atual de vida.


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