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Sexo: não basta informar os filhos, tem que participar.
Margareth de Mello F. dos Reis

Nunca, antes, fomos tão bombardeados de informações, como podemos observar da metade do século XX para cá.
O advento da televisão, da informática, da conexão virtual do indivíduo com o mundo - entre outros - fez destas últimas décadas, o auge do ritmo acelerado das transformações sociais e de valores.
Neste sentido, ao mesmo tempo que somos "cutucados" para reformulações cognitivas, afetivas e comportamentais que permitam o acompanhamento dessas mudanças, também podemos nos deparar com a dificuldade de discernimento para tomar uma iniciativa emocionalmente segura diante da avalanche de estímulos que recebemos.
O epíteto "novo" adquiriu, na vida pós-moderna, uma dimensão que atingiu todas as esferas pelas quais o indivíduo transita, tornando-se um referencial quase exclusivo para o exercício coletivo de vida.
O "novo" padrão de mulher, o "novo" padrão de homem, o "novo" padrão de criar os filhos, o "novo" padrão dos relacionamentos amorosos, o "novo" padrão sexual, figuram como exemplos que promoveram mudanças significativas no percurso histórico das pessoas, mas que não podem ser dissociados dos referenciais basais que os sustentam.
É no relacionamento afetivo com os modelos parentais significativos (pai e/ou mãe, ou quem os substitua), que cada pessoa desenvolve o seu papel de filho(a) e vai assimilando o que é ser pai ou mãe.
Essa experiência vai ter um peso relevante para que a pessoa se sinta mais a vontade ou mais inibida para se relacionar com os seus filhos no futuro.
E isso fica particularmente mais explícito quando se trata de aspectos surgidos na criação dos filhos, que despertam a vivência psico-sexual que cada um dos pais experimentou durante o período de seu próprio desenvolvimento.
A história da sexualidade desvinculada dos tabus e de sua função reprodutiva ainda é recente e, uma questão que muitos pais encontram dificuldade para lidar com seus filhos.
Apesar de homens e mulheres terem conquistado o que consideram ser a plena liberdade no que se refere às suas sexualidades, o enfrentamento de algumas situações com os filhos acabam sendo vividas com constrangimento.
Às perguntas que as crianças fazem ou às curiosidades apresentadas pelos adolescentes que pegam os pais de "surpresa", as reações dos progenitores são coerentes com o que eles trazem internalizado das suas próprias experiências sexuais durante o desenvolvimento que tiveram.
Portanto, diante do impacto que uma pergunta ou a manifestação da sexualidade dos filhos provoque nos pais, é importante que em primeiro lugar esses últimos reconheçam que foram tocados em algum ponto frágil.
Em seguida, é importante considerar que nenhum progenitor é obrigado a dissertar sobre sexo com o seu filho e muito menos se deve sair pela tangente diante dessa situação, desconversando.
Se a resposta disponível atender a dúvida do filho ou o orientar para alguma manifestação da sua sexualidade, já é um bom começo.
Se ocorrer aquele famoso "branco", não há nada que desqualifique um pai ou uma mãe que pede para responder dali a pouco para o filho, argumentando sobre o desejo de encontrar uma forma esclarecedora de abordar sobre o tema ou situação em questão.
E procurar retornar ao assunto antes que este esfrie é um dever.
Esses são exercícios que ajudam no desenvolvimento necessário da sexualidade dos dois lados: dos pais que estão tendo a oportunidade de rever seus pontos frágeis e fortalecê-los nesse momento de suas vidas através dos filhos, e, dos filhos que estão desabrochando para esse assunto e se sentem acolhidos por pais que não se escondem de si mesmos.
Finalizando, as informações podem ser fartas, acessíveis e cada vez mais velozes, mas na prática é tão somente a experiência - e, consequentemente, a remoção de tudo que ainda nos pesa - que vai, efetivamente garantir, uma maior adequação na qualidade das escolhas que fazemos e enriquecer o contato com tudo de precioso que nos cerca.


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