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Rotina e Erotismo
Margareth de Mello F. dos Reis

Morar juntos tem se constituído em opção natural para duas pessoas que mantém um relacionamento e se gostam.
Esse passo, nem sempre avaliado em toda a sua extensão, visa a manutenção de uma simples convivência sem formalidades legais.
Temperada por razões práticas, essa escolha acaba por envolver apenas as providências aparentemente mais imediatas.
Sair da própria casa, acolher uma parceria na própria casa ou que integre filhos de relacionamentos anteriores à vida em comum atual, costumam figurar como exemplos alternativos que selam uniões.
O que nem sempre se inclui nesse projeto inicial dos amantes é um dado de realidade inevitável.
Com a rotina que se estabelece, o relacionamento começa a ganhar contornos próximos aos daqueles matrimoniais convencionais, ainda que isso não fosse uma intenção manifesta daqueles que adotaram uma posição menos complicada: viver a vida a dois sem burocracia.
E viver a vida a dois sem burocracia não é sinônimo de viver só o que é bom sem se comprometer com o restante da relação.
Diferente do período em que os dois só passavam as noites - ou as horas que podiam - juntos, o prazer erótico que os estimulava não reinará sozinho no afã de uma vida em comum.
O que não significa que a relação doméstica condene o prazer erótico à extinção.
Acontece que a vida a dois exige entendimento, compreensão do significado da relação e dos limites do casal para sobreviver.
Os dissabores experimentados pela violação dos valores que orientam a vida de cada um quando não discutidos francamente com seus mais legítimos sentimentos e acertados adequadamente para ambas as partes podem interferir no prazer da união.
O prazer sexual é uma das possibilidades de prazer que se experimenta na vida a dois, e, muitas vezes, é a mola propulsora para a decisão de se concretizar uma convivência conjunta.
Só que esse prazer sensual não garante a satisfação de outros fatores com os quais se defrontam o casal que passa a dividir uma rotina diária.
Assim como, todos os mal-entendidos que envolvem a convivência entre os parceiros poderão afetar os sentimentos eróticos que já sentiram um pelo outro.
As expectativas secretas que cada um carrega dentro de si sobre o relacionamento se transformam em conflitos quando eles constatam os seus pontos de divergência.
Desde o significado de fidelidade, do desejo de ter um filho, de mudança de idéia sobre os próprios direitos na relação, até o acordo das bases contábeis que garantam a confiança nos investimentos conjuntos na vida a dois, saber até que ponto um pode contar com o outro é uma informação que não deve ser banalizada.
Pode ser na superestima do prazer sexual em detrimento do acerto de todos os outros aspectos que garantem a harmonia de uma convivência a dois que muitos sonhos românticos acabem por se transformar em terríveis pesadelos.
Diante de tudo que foi exposto até aqui, será que a existência da rotina é culpada por destruir o erotismo na vida a dois, como popularmente se comenta? Bem, para concluir, é bom lembrar que a vida em todos os seus planos, exige uma certa logística para funcionar bem.


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