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Masturbação
Margareth de Mello F. dos Reis

A masturbação consiste na busca do prazer sexual pela auto-estimulação dos órgãos sexuais.
Embora, a nossa sociedade de hoje aceite essa prática como normal e até benéfica para a vida sexual de homens e mulheres, isso nem sempre foi assim.
No século XIX, a literatura de horror sobre a masturbação apresentava propostas aterrorizantes que incluíam equipamentos mecânicos restritivos comparáveis aos recursos medievais de tortura.
Além disso, eram comuns os seguintes procedimentos cirúrgicos: cauterização dos órgãos sexuais, a infibulação, a castração e a clitoridectomia.
Considerados herdeiros dessa visão, alguns países como o Egito e a Somália ainda hoje praticam atos de mutilação para a retirada do clitóris em meninas adolescentes.
Esse é um exemplo torturante de ritual de passagem em que não são raros os casos de infecções que levam muitas de suas vítimas à morte.
O que se pode extrair disso é o quanto se rejeitou - e em alguns países ainda se rejeita - o prazer em si.
Em outras palavras, o quanto o prazer desvinculado da finalidade reprodutiva não se constitui em prática isenta de preconceitos.
Ao considerarmos o desenvolvimento tanto de meninos quanto de meninas verificamos que a criança descobre muito cedo sensações agradáveis - os meninos no contato manual com o seu pênis e a menina com os lábios da vulva -, que tentarão reproduzi-las natural e instintivamente.
Porém, as meninas se mostram menos curiosas em relação aos seus órgãos sexuais que os meninos, porque os seus são mais escondidos e elas não vivem a experiência concreta de excitação como os meninos, através do fenômeno de ereção.
Além disso, os condicionamentos culturais que já foram largamente utilizados para reprimir o desejo feminino também contribuem para que a masturbação seja menos experimentada pelas mulheres.
No entanto, a masturbação representa um importante caminho para a descoberta da própria sensualidade.
Na adolescência, por exemplo, essa prática se constitui em canal para liberar a tensão.
Além disso, permite nessa fase, que o adolescente se familiarize com seus órgãos sexuais e aprenda como sentir o prazer.
Isso o levará a indicar, numa futura relação sexual, o que mais o agrada e o satisfaz.
Desta forma, a masturbação pode ser considerada como uma espécie de laboratório para a vida adulta.
Por outro lado, isso não significa que os adultos não possam recorrer a essa prática.
O que se alerta é para que a masturbação não venha a substituir de forma exclusiva o contato sexual com a outra pessoa.
Quando isso acontece, o problema, em geral, tem suas bases no medo do encontro e não na masturbação em si.
Do contrário, a masturbação pode ser uma alternativa para períodos - ou momentos - específicos da vida da pessoa: de separação, de afastamento da pessoa com quem se divide a intimidade, ou para liberar uma tensão sexual na ausência de uma pessoa sexualmente significativa.
A experiência masturbatória feminina contribui para a obtenção do orgasmo na relação sexual com mais êxito do que as mulheres que nunca se masturbaram.
A possibilidade de se familiarizarem com o próprio corpo e de reconhecerem as suas necessidades específicas, permite que essas mulheres indiquem aos seus parceiros o que mais lhes agrada.
O fato de poder reproduzir essa experiência no contato com a outra pessoa é sempre uma alternativa a mais para elevar o prazer sexual.
A masturbação mútua - com a mão, com a boca ou com a língua - pode intensificar a excitação de ambos e propiciar um clima de maior intimidade antes do sexo com penetração.
Ou, às vezes até substitui-lo sem que isso comprometa a ocorrência de orgasmos futuros.


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