Home
Outros
 
 
 

Depois do Sexo
Margareth de Mello F. dos Reis

O momento de intimidade à dois inclui, inevitavelmente, um antes e um depois, tão importantes quanto a própria entrega sexual.
Tudo que se experimenta no presente pode tornar a próxima vez ainda melhor.
.
.
ou pior.
Após atingir o orgasmo, o homem retorna ao estado de não excitação mais rapidamente que a mulher.
Ele relaxa e entra num estado de sonolência depois de experimentar um gozo satisfatório e ela diminui a sua excitação, gradativamente, depois do orgasmo.
Essa diferença pode levar a mulher a querer prolongar o seu prazer depois do clímax sexual com carícias e palavras quando seu parceiro já deu por encerrada qualquer comunicação adicional à satisfação já atingida.
O ato sexual é reconhecidamente um ponto de alta relevância numa relação amorosa.
Em contrapartida, esse ato está inserido numa situação mais abrangente que não o esgota em si mesmo.
Às vezes, a excitação da mulher continua após o gozo com o parceiro - o que a torna disponível para novos orgasmos -, mas ela pode se sentir constrangida diante dessa constatação, fechando-se.
Se essa mulher conduzisse o parceiro à carícias que prolongassem as sensações eróticas dela, ele, certamente proporcionaria mais prazer a ela, podendo também voltar a se excitar para uma segunda vez.
Ou ficar satisfeito por deixá-la satisfeita.
Em outros casos, a mulher pode ter dificuldade de atingir o seu orgasmo durante a relação com penetração e não sabe como demonstrar isso para o parceiro.
Desde as que tentam compensar com a masturbação longe de seus parceiros, depois do sexo, como as que tentam estender o ato sexual depois de terem fingido um orgasmo e se frustram quando eles não agüentam e param, essas mulheres tendem a exigir do parceiro aquilo que eles não sabem como fazer para agradá-las.
Falta, em geral, para essas mulheres a expressão mais clara daquilo que desejam para que seus parceiros pudessem atendê-las satisfatoriamente.
Até porque os homens preferem se empenhar em agradar sexualmente às mulheres com as quais têm um envolvimento - com carícias no clitóris com as mãos ou com a boca - a deixá-las insatisfeitas depois de um contato sexual.
A entrega sem censura, sem dramaticidade e cobrança no momento íntimo representa o tempero imprescindível para o prazer à dois.
A relação ideal pressupõe a interrupção da exploração sexual quando os dois se dão por satisfeitos.
Quando a sensualidade do casal promove gratificação, ambos conseguem trocar energia positiva.
Ficam a vontade depois do ato sexual para fazer um agrado no outro sem cobrança ou para revelar seu desejo, na presença do outro, sem inibição.
As recriminações que se dirigem à fase imediatamente depois de um encontro íntimo revelam desencontros amorosos mais abrangentes não resolvidos que tendem a se intensificar nesse momento da relação.
Sejam dificuldades que a mulher experimenta em lidar com a sua satisfação sexual como aquelas que experimentam alguns homens que tratam de concluir o ato sexual o mais rápido possível para evitar um aprofundamento na relação ou para esconder suas ansiedades da parceira, estas não são questões que se relacionam apenas com esse momento da relação do casal.
Esses casos revelam pesos pessoais que interferem na satisfação mútua e transformam um momento que deveria ser de leveza e inspiração em desassossego de uma ou das duas partes envolvidas no relacionamento.
Porém, para o casal que experimenta satisfação no ato sexual, nem aquele cochilo pós-orgasmo nem picuinhas da vida a dois costumam se transformar em obstáculos nesse momento quando ambos conseguem compartilhar da mesma sintonia de merecido relaxamento.


Outros Textos deste Autor
Outtros Textos desta Subsecao


Este site é mantido por: Margareth de Mello Ferreira dos Reis