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TIPOLOGIA DE TERAPEUTAS
Raphael Cangelli Filho

O exercício clínico requer do terapeuta um embasamento teórico sólido para conceituar os problemas do paciente e, com isso, garantir intervenções que alcancem resultados terapêuticos mais satisfatórios.
Posto isto, podemos eleger a capacidade de conceituações de tratamento, a escolha de técnicas facilitadoras para o processo terapêutico e o estabelecimento de uma relação terapeuta-paciente de qualidade como sendo as principais habilidades clínicas do psicoterapeuta.
Mas como o título sugere, gostaríamos de apresentar alguns tipos de terapeutas apontados por autores (Arthur Freeman e Frank Dattilio) bastante conceituados no âmbito das terapias cognitivas, que ultrapassam qualquer base teórica, treinamento e prática específicos.
Pelo caráter, no mínimo, distinto de cada um, são eles os teóricos, os técnicos, os mágicos, os políticos e os clínicos.
Vale a pena conferir o que esses autores demonstram e conjeturam a respeito dessa tipologia.
Os teóricos se encontram bem fundamentados na teoria e na pesquisa da terapia, mas desconsideram que o terapeuta tenha de desenvolver habilidades no processo para exercer a terapia.
Esse tipo de terapeuta ocupa o tempo ensinando terapia; discorre, pesquisa, teoriza terapia, mas sem exercê-la de fato.
Os técnicos apostam todas as fichas em habilidades específicas, independentemente do modelo.
Ecletismo, nesse caso, é fichinha! Podem exercer terapia "pelo livro", pelo que assimilaram dos "workshops", das "conferências", das aulas de "corte e costura" (ôpa! Essa foi uma brincadeirinha dos autores deste texto).
Com isso não se interessam pelas discussões filosóficas e/ou teóricas porque apontam para outras direções que não aquela que acreditam que funciona.
Já no caso dos mágicos, não necessitam de habilidades.
Fazendo um paralelo com os teóricos, descartam uma técnica comum porque os rebaixariam.
Para o tamanho do carisma que julgam ter, consideram-se "terapeutas de apoio" e vangloriam-se de não terem um treinamento terapêutico.
Suas publicações são, freqüentemente obscuras, ficando no plano do esotérico e, consequentemente do mágico.
Os políticos olham para o momento como se não existisse uma história que sustentasse esse momento.
Se o que visualizam é o popular, então é a moda, é a regra, é o melhor.
Ufa! Não podem deixar de se preocupar com as próximas tendências em psicoterapia, ou ainda com os últimos lançamentos de terapia na praça.
Grito Primal que se segure.
Ou que se segure até a próxima estação.
Popularidade já! Eis o slogan que sustenta esse tipo de terapeuta.
Já os clínicos, quem diria! Como dizia o velho ditado: "os últimos serão os primeiros".
Esse estilo de terapia é a combinação de todos os tipos descritos anteriormente e tende a ser um expoente nos modelos de maior profundidade e escopo.
Nós acreditamos ser a combinação desses estilos o que permite e pede uma atualização, discernimento, postura crítica e ética diante do exercício do ser terapeuta, para o desenvolvimento do paciente em psicoterapia.


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