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Como a Psicologia pode tratar as disfunções sexuais
Margareth de Mello F. dos Reis

Muita gente deixa de procurar o trabalho psicoterápico ou não confia inteiramente em sua eficácia pelo simples motivo de não conhecê-lo.
Fantasias e preconceitos então se misturam às origens psicogênicas do problema, dificultando a busca de soluções.
O trabalho psicoterápico baseado na queixa sexual psicogênica não assume um caráter único e exclusivo de conduta terapêutica.
A avaliação deste tipo de trabalho como simplista ou incompleto pode ter origem tanto na falta de informação como no preconceito à respeito desta prática.
É fato que ele se distancia de outras condutas terapêuticas, uma vez que concentra esforços na solução do problema sexual.
Isto porque o trabalho específico com a sexualidade ( surgido no final do século passado com publicações de Havelock Ellis e desenvolvido neste século através da aplicação de abordagerns comportamentais na década de 50, e através da realização de estudos sobre fisiologia sexual de William Masters e Virginia Johnson na década de 60), aprimorou recursos de intervenções práticas para a solução deste problema específico.
Porém, este não representa o limite do trabalho.
Desde a avaliação psicológica diagnóstica, que tem por finalidade detectar fatores emocionais potencialmente envolvidos na queixa, sejam eles primários ou secundários à disfunção, até a terapia sexual propriamente dita, o profissional acumula um material sobre a subjetividade o paciente, de fundamental relevância para o curso do tratamento.
A tônica na condução desse processo reside na organização prática que o psicoterapeuta faz daquilo que o paciente oferece sobre o seu sofrimento psíquico (e os meios que já utilizou para tentar resolvê-lo), propondo uma intervenção inicial focada no sintoma principal (disfunção sexual), ou nos aspectos emocionais impeditivos de um resultado mais positivo em suas experiências sexuais (sem perder, obviamente, de vista, o problema sexual que aflige o paciente).
A atenção do psicoterapeuta está voltada para uma variedades de aspectos individuais do paciente, tais como: assertividade, flexibilidade, relacionamento interpessoal, avaliação particular que ele faz dos acontecimentos, expressão emocional, bem como para os meios de que o paciente se utiliza para estabelecer os seus envolvimentos afetivos-sexuais.
De forma metafórica, nesta perspectiva, as técnicas sexuais ocupam o palco quando o elenco já está preparado para o espetáculo; caso contrário, elas aparecem nos ensaios, corrigem e acertam detalhes que prejudicam o "script", ou até mesmo aguardam nos bastidores, se for este o caso, até o momento oportuno para a sua apresentação.
O que certamente não retrata este processo é mostrar o psicólogo desvinculado de sua formação mais ampla (ciência do comportamento), ocupando-se apenas de um aspecto das dificuldades do "ser" humano: neste caso, o sexo.
Tanto o ser humano não tem esse aspecto isolado de outros que, juntos, lhe dão um perfil característico.
Quanto ao psicólogo, ao fazer uma abordagem de tratamento voltada apenas para a sexualidade, estaria descartando o conhecimento adquirido durante seus anos de formação sobre a complexidade do desenvolvimento humano e sobre as mais variadas formas através das quais o ser humano expressa suas insatisfações emocionais.
O trabalho em sexualidade conta com uma abordagem técnica específica, e sua aplicação varia de acordo com a demanda que o paciente apresenta.
Tendo em vista os pontos que desencadearam ou mantêm uma disfunção sexual, o psicoterapeuta poderá planejar a sua atuação e, ao longo de seu desenvolvimento, avaliar os recursos que está utilizando a partir dos resultados obtidos no decorrer das sessões.
Sob esta ótica, a proposta de tratamento visa também a uma integração nas formas de pensar, sentir e agir do paciente, com ganho inevitável no plano da sexualidade.
Mesmo que o problema repouse apenas na dificuldade sexual, observando-se que todas as outras áreas (social, familiar, afetiva, profissional ou acadêmica) mantêm-se preservadas, o trabalho tem que oferecer para cada paciente, aquilo que ele específicamente necessita para alcançar o seu bem- estar emocional.
Se a meta para isso não incluísse um propósito mais amplo e consistente para o paciente, seria desnecessária a presença de um psicólogo.
Bastaria que um indivíduo com disfunção sexual seguisse as instruções que manuais de técnicas sexuais apresentam, ou ainda, que qualquer profissional de outras áreas o instruísse a esse respeito.
Ainda que muito bem intencionado, esse profissional estaria realizando um trabalho educativo, terapêutico, informativo, pois, a psicoterapia, além destas intervenções, visa trabalhar as questões subjacentes ao problema apresentado pelo paciente, para que ele possa alcançar uma liberdade e discernimento emocionais em todos os planos de sua vida, e isso somente ao psicoterapeuta compete realizar.


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